Nunca sei bem o que te digo, as palavras pulam simplesmente na tua direcção, como se fosses um íman para o que digo, para o que vejo, para o meu corpo.
Torno-me um espectador ausente, como se dormitasse num cinema, apenas me apercebo do mundo através de grandes imagens coloridas, gigantescos quadros de óleo, enormes telas vivas e quentes narradas pela tua voz gotejante.
E a tua mão agarra minha.
Desperto debaixo de uma chuva infinita e negra, que cai da noite como pedaços de alcatrão gelados, parado à porta da tua casa, a tentar agarrar o calor da cama ao meu corpo, a tentar lembrar o teu cheiro na minha cara antes que se misture com as lágrimas das nuvens.
O primeiro passo é o mais difícil, mas o peso do sono empurra-me para a calçada e avanço por puro hábito de fazer o caminho de volta, o serpenteante caminho de pedra que me leva para um dia de névoa cinzenta e outras vozes.
Mas que leva também, quase que rezo enquanto ando, de volta para as tuas mãos.
Torno-me um espectador ausente, como se dormitasse num cinema, apenas me apercebo do mundo através de grandes imagens coloridas, gigantescos quadros de óleo, enormes telas vivas e quentes narradas pela tua voz gotejante.
E a tua mão agarra minha.
Desperto debaixo de uma chuva infinita e negra, que cai da noite como pedaços de alcatrão gelados, parado à porta da tua casa, a tentar agarrar o calor da cama ao meu corpo, a tentar lembrar o teu cheiro na minha cara antes que se misture com as lágrimas das nuvens.
O primeiro passo é o mais difícil, mas o peso do sono empurra-me para a calçada e avanço por puro hábito de fazer o caminho de volta, o serpenteante caminho de pedra que me leva para um dia de névoa cinzenta e outras vozes.
Mas que leva também, quase que rezo enquanto ando, de volta para as tuas mãos.
