sexta-feira, setembro 14, 2007

r 23

nem no chão caminho
nem com asas me sustento
nem na alma acredito
nem o toque me aquece

marcada na carne faço
esta última sentinela
esfinge que espera no céu
pela subida das sombras

estátua de sal
tigre de cartão
homem de lata

terra descoberta
pelo toque recente
da chuva do final da tarde

segunda-feira, setembro 10, 2007

medo

medo

se a alma existisse
alimentava-se de medo
o medo leva à fúria
à raiva
à mentira

se a alma existisse
era essa satisfação cruel
que nos enche o peito
e nos faz sorrir
quando fazemos
criamos
causamos

medo

esse depravado prazer
temperado com lágrimas
dos outros
que cercamos
que matamos
que enganamos

medo

medo deles
medo meu
muito
muito

medo

sábado, agosto 25, 2007

segunda-feira, julho 30, 2007

Passaram muitos anos... bom, não foram assim tantos, mas vão-se acumulando e as pessoas que me conhecem insistem que me marcaste, que alguma coisa fizeste que me impede de amar, de sentir, de dar aqueles pequenos passos em frente a que normalmente se chama ternura.
Não sei se é verdade.
A minha voz da verdade, olhando-me do outro lado do copo de sangria, diz-me que procuro, que procuro ela não sabe, por isso é ela a voz da verdade, a verdade é que eu também não sei, nem sequer acho que realmente procuro.
Digamos que espero.
Sim, mas que espero eu?
Espero por ti?
Não, não espero por ti, nunca esperei por ti, nem no primeiro dia do fim guardei a mais leve esperança ou ânsia.
Será isso? Será que espero pela esperança?
Eu não sei.
E sendo realmente sincero comigo, olhando a minha ausência nos olhos, não me importo com isso. Não gasto uma merda de um segundo a saber o que aguardo.
Sei que virá, repentina como a manhã.
Sei.
E até lá espero.

segunda-feira, julho 09, 2007

se fosse sincero dizia-te o quanto me apetece matar-te
usar esta pedra no meu peito, negra e suja de sangue
para destruir a luz dos teus olhos, apagá-la para sempre

se fosse verdadeiro terias verdadeiramente medo de mim
saberias que nos meus olhos se escondem os passos escuros
as garras afiadas de quem te quer esmagar o pescoço fino

se eu fosse realmente eu quando eu estou contigo
verias o sangue dos teus lábios a bailar nos meus
o meu riso a aumentar com o medo dos teus olhos

se um dia eu amanheço como eu sou mesmo
beberei os tuas lágrimas misturadas com o teu sangue
desfarei o teu corpo por entre os lençóis da tua cama

apetece-me estragar-te
destruir-te
desfazer-te
amar-te

domingo, junho 24, 2007

Quase.

Já quase me tinha esquecido a que sabe uma pele, qual o sabor do suor de alguém que adormece nos nossos braços, já nem mesmo o peso doce de uma colher cheia de luz a dormir encostada a mim passava senão de uma vaga memória.
Tentei navegar calmamente esses oceanos de memória, forcei os meus dedos a não tremer, acho que não tremeram, sei que se tremeram não me importo realmente.
Os teus caracóis repousam no meu ombro como se de vinhas numa parede partida se tratassem, pequenas trepadeiras sufocantes de vida numa pele muito marcada, onde deixaste a tua marca, pelo sim pelo não, só porque podias e passaste por lá, pequeno graffiti rasgado com a ponta da unha.
Só sei que estou vivo quando entro na cozinha, a luz das 6 da manhã, aquela luz que ainda nem é luz, é um embrião de luminosidade, atravessa o balcão de uma ponta à outra, bate-me na cara, entras e beijas-me o pescoço, roubas uma torrada e ris alto demais, olhando por cima do ombro na tua fuga pelo corredor.
Acho que vou chegar atrasado, já me esperam quando chego a casa, parto logo, sentado lá atrás, o mundo é ruído de fundo, até a luz se desvanece, não estou realmente no carro, estou a lembrar o momento, aquele exacto momento em que me lembrei do que quase tinha esquecido.
Quase.

quarta-feira, maio 09, 2007

Os carros passam silenciosamente, deixando tiras vermelhas de quando passam por mim. Vou de cara pendurada, olho as estrelas no gelado céu da noite de verão, penduradas, esperando, olhando silenciosamente os carros que passam.
A noite é um espelho, silencioso e escuro como alcatrão, muralhas de árvores impedem os olhos de se perderem na paisagem sem lua, a adrenalina escorre das colunas, a batida faz as respirações acelerar, faz o carro acelerar, faz o mundo acelerar.
Só eu, pendurado da janela, permaneço imóvel.
Todo o carro arde, sente-se o calor, a fúria inflamada faz todos no carro arder, só eu sinto o ar gelado que entre às golfadas pela janela aberta. Os lábios torcem-se nervosamente, as conversas são curtas, todos guardam cada grama da sua fúria, todos a atiçam, para que arda mais e mais e mais.
Porquê?
Serei mais calmo?
Mais velho?
Mais sábio?
Não, não sou melhor nem pior que estes corpos furiosos que acompanham o meu.
A minha fúria ardente, onde está, para onde foi, será que a perdi? Será que já não sou aquela chama de fúria, de calor e energia?
É nisto que penso quando o carro para subitamente, é este o meu verdadeiro medo, não a dor, não os outros, nunca, nunca os outros.
Todos saímos, e avançamos calmamente, e então reparo.
Já passei por isto antes, já sei onde estou, não mais estou perdido.
Não ardo de fúria.
Quem arderia estando aqui, num sitio familiar, rodeado do que conheces?
A minha fúria, se é que é fúria é gelada, temperada com um contentamento imenso, uma antecipação de quem volta de uma longa viagem e está em casa.
Vai começar.
Estou em casa.

quinta-feira, maio 03, 2007

chove porque eu peço

Oiço as pessoas, escondidas nos cafés, presas nas paragens cheias dos transportes públicos, encravadas debaixo de longas filas de guarda-chuvas, protegidas, fugidas desta chuva fria que cai torrencial que vem cortar um começo promissor de sol e calor...
Porque chove, que vem esta chuva fazer aqui, lembrar-me do inverno escuro na véspera do luminoso verão?
As suas vozes não me interessam , só me fazem sorrir de desprezo, nascido de um contentamento imenso como o cinzento das nuvens que me despejam as suas dores pela cara, pelo cabelo, pelas pontas dos dedos.
Esta chuva cai porque eu preciso dela, porque a pedi no meio da noite escura e sufocante, do suor e da culpa. Ela cai finalmente, são paredes de facas geladas que caem do céu, que me cortam o medo, que me separam das correntes que me prendem, chove e estou cá fora, o vento acorda-me os sentidos, levanta a alma que não tenho para o céu em que não acredito, faz-me sorrir de alivio e fúria.
Sinto a respiração do fumo,sinto o cheiro da vida, a terra encharcada que bebe a chuva tão ansiosamente como eu.
Mas, mais que tudo, abro os olhos lavados, estou rodeado de cores novas, lavadas, limpas, e sinto a sua força como se tocasse os ásperos óleos de um quadro renovado, brilhante.

Mas mais que tudo... mais até que a chuva e o vento... eu sinto.

O meu coração bate de novo, os meus olhos estão lavados, eu sinto.

EU SINTO!

E choveu porque eu pedi.

quarta-feira, abril 18, 2007

neutro

uma pedra lisa, raspada, polida pelo uso
uma lâmina romba, que perdeu o fio
um espelho embaciado, rachado
um disco riscado, empenado

será que este bater compassado
que já nada afecta
que já nada acelera
será que sou mesmo eu

uma recordação esbatida
um vapor suspirado
num passado já quase esquecido
já quase uma vaga lembrança

onde está o monstro
para onde escorreu a fúria
em que sono perdi o sonho
não passou assim tanto tempo

quando foi que te toquei
quando foi que te vi e abracei
já não me importo
nem com isso
nem com nada



domingo, março 18, 2007

prisão transparente

Atiro-me contra as paredes de vidro
desta masmorra luminosa e quente
demasiado desesperado para temer
demasiado assustado para parar

O meu corpo, o meu espírito,
todo o meu incompleto eu
desespera por ar, desespera pela chuva
por ficar de novo cativo do vento nas árvores

Atiro-me novamente
banhado em sangue e suor
demasiado estúpido para desistir
demasiado cansado para respirar

O meus músculos tremem
o ar rasga-me a garganta
embato novamente nas paredes de cristal
sinto os ossos ranger
mas a transparente muralha nem se mexe

Olho parado o exterior
reparo agora
o vento navega pelas copas das árvores

tomo balanço e atiro-me novamente

terça-feira, janeiro 16, 2007

no nevoeiro

Matava por um cigarro, a noite está gelada,
o nevoeiro abraça todas as formas, distorce a noite num abraço apertado,
forma pequenas lágrimas geladas no meu cabelo, na minha cara

As recordações rodeiam-me, neste caminho mal iluminado,
aproximam-se como lobos, vejo os seus olhos vermelhos no limite da luz
vejo as suas formas disformes, as suas presas esfomeadas e sorridentes

Muitas noites passadas aqui, neste nevoeiro gelado
escondido num portal escuro, afastado das luzes, afastado das almas.
espero a altura de abrir as grades, de soltar a torrente de raiva, a fome de sangue

As minhas mãos tremem, não tenho cigarros, o cabedal das luvas rangem suavemente
o vulto à minha esquerda respira o sinal combinado,
o resto dos vultos mexe-se suavemente, não têm olhos, só têm braços, só têm corpo

abro suavemente as grades, abandono a um canto a máscara
vejo o sangue cobrir-me os olhos, a cara, as mãos
e sento-me dentro de mim, sossegadamente, a ouvir o eco
dos barulhos soltos
no nevoeiro

sábado, dezembro 30, 2006

pormenores 3

neste mundo de infinitas chamas semeadas
que a tua voz plantou neste meu caminho
pelas sombras me perdi, devagar, devagarinho

procurei sem olhar, sem ver, sem ouvir
neste nó de infinitos crepúsculos
um só amanhecer de perfeição construído

pelas pontas dos dedos me guiei
entre abraços espinhosos e beijos envenenados
até adormecer nas tuas asas negras

e de dentro dos teus olhos nasceu
essa luz perfeita que nasce da fé inabalável
de quem nunca viajou pela escuridão

segunda-feira, dezembro 18, 2006

pormenores 1















os meus olhos estão já habituados à ausência de luz no meu interior
e saudam todas as manhãs da minha vida com a mesma estranheza amedrontada
o meu sorriso são as barras que em mim prendem
todos os gritos, todas as lágrimas, todos os beijos

mas o pôr-do-sol, esse já me conhece bem
é um sonho que me arrasta
um chamamento imperfeito, feito de sons roubados ao dia
um empilhar de recordações

enrolo-me dentro de mim e adormeço
com um cobertor de escuridão melosa e fria
como um abraço de alcatrão gelado e amargo
como os meus sonhos realmente são

sexta-feira, dezembro 08, 2006

absolutos

Está um gelo absoluto nesta gloriosa e luminosa manhã, a luz corta-me a cara com as suas lâminas geladas, tento sair do teu abraço adormecido sem te trazer comigo para o dia, prefiro deixar-te adormecida, quente moldura de caracóis negros que me chama de volta para a cama, enquanto me arrasto para a água.
Já estou completamente acordado quando entro novamente no quarto, dentro de mim tenho já o cheiro a pão e café, tento ser absolutamente silencioso enquanto me mexo, beijo-te o pescoço para que me acompanhes, e saio para o exterior cinzento e cheio, para o mundo de barulho que me rodeia, bate-me na cara, quase que me magoa depois do silêncio, do nosso silêncio.
O frio abraça-me e puxa-me para os movimentos automáticos, acho que o filho da puta me conhece só de me ver sair, passo a língua pelos lábios e respiro fundo, guardo-te nesse enorme espaço que tenho dentro de mim, num canto escuro e confortável e parto, parto para as horas do apagamento.

Entro em casa e trago comigo o frio, tenho as mãos tão rijas que nem consigo desapertar os botões do casaco, quando começo a irritar-me a sério apareces do nada, como um vento quente que cheira a maçãs, beijas-me as mãos e tiras-me o casaco, estilhaças o gelo com o teu sorriso, acho que só sorrio por te ver sorrir, não me lembro sequer se antes sorria.
Sento-me e vejo-te voar, como um vapor de negros caracóis e oiço, pela primeira vez oiço verdadeiramente as primeiras palavras deste dia quase noite, e desenho-me de novo, tu desenhas-me de novo, depois das horas do meu apagamento.
De repente paras, como se te lembrasses de que estou ali, olhas-me e sorris, um sorriso largo como o horizonte, e eu sorrio de volta, puxo-te para mim e beijo-te o pescoço.

Não sei, acho que é este o meu absoluto.

segunda-feira, novembro 13, 2006

olá

energia
todo o teu corpo é um eléctrodo
propagas corrente pelas minhas mãos
como um cataclismo de luz
como se o sol
farto de esperar por mim
me esperasse já na porta
e me comesse os lábios
antes de me deixar sequer entrar

sobes
enrolas-te pelo meu corpo
como uma serpente alada e suave
e arrancas-me a alma com doce perfume
envenenado pelos teus beijos
arrasto já os corpos pelo chão
numa direcção que nem sei bem

paras
olhas-me sorrindo
deixas-me respirar um momento
fechas a porta com um pé
arrancas os meus olhos com os teus olhos
e dizes-me olá
e chamas-me teu

terça-feira, novembro 07, 2006

atracção

Nunca sei bem o que te digo, as palavras pulam simplesmente na tua direcção, como se fosses um íman para o que digo, para o que vejo, para o meu corpo.
Torno-me um espectador ausente, como se dormitasse num cinema, apenas me apercebo do mundo através de grandes imagens coloridas, gigantescos quadros de óleo, enormes telas vivas e quentes narradas pela tua voz gotejante.
E a tua mão agarra minha.

Desperto debaixo de uma chuva infinita e negra, que cai da noite como pedaços de alcatrão gelados, parado à porta da tua casa, a tentar agarrar o calor da cama ao meu corpo, a tentar lembrar o teu cheiro na minha cara antes que se misture com as lágrimas das nuvens.

O primeiro passo é o mais difícil, mas o peso do sono empurra-me para a calçada e avanço por puro hábito de fazer o caminho de volta, o serpenteante caminho de pedra que me leva para um dia de névoa cinzenta e outras vozes.
Mas que leva também, quase que rezo enquanto ando, de volta para as tuas mãos.

quinta-feira, outubro 19, 2006

olho as tempestuosas mãos como se nelas residisse realmente a minha salvação, como se pudesse rasgar o celeste cobertor cinzento de chumbo derretido e arrastar-me para o escuro conforto que reside detrás do céu

acho que só mesmo a chuva que cai me salva, deve ser de estar tão encharcado, nem sei se tremo de frio ou de coragem, tenho tanto sentir acumulado que tremo quando ele sai, quando a chuva me escorre das pontas dos dedos e o vento me enrola e dança comigo

sou uma pedra que anda, sou uma estátua flutuante

e não sei realmente o que fazer quando a barragem rebenta, quando as lágrimas que das nuvens caem me entram pelos olhos e puxam as minhas para o ar frio, ambas se misturam e me gelam a cara, parece que choro facas e respiro espadas, parece que os meus pulmões se enchem do sangue que me gela no copo todo

sou uma pedra que parte, sou ...

sei lá eu o que sou

sou um gajo encharcado, gelado e partido, e só me quero meter num mundo de vapor e lágrimas quentes e confortáveis com que o chuveiro me vai envolver, assim que chegar a casa

e aí, nos teus abraços, não me importo de não existir

domingo, outubro 15, 2006

mãos geladas

Consigo saborear no ar que o teu beijo deixou nos meus pulmões aquele doce cheiro a vingança que aparece na noite, misturado no sabor gorduroso a morango que o teu baton plantou pela subida do meu pescoço até à minha boca.
Tens as mãos geladas, arrepias-me a pele quando me tocas o peito, que estranha mistura esta, as minhas costas suam, quase que tremo da mistura entre o frio e o nervoso, tenho medo que descubras que já perdeste, que já te puxei para mim, tenho medo que olhes à volta e descubras que já navegámos da sala para o quarto.
Os teus caracóis soltam-se quando te envolvo a cintura com a mão e te levanto, ris de espanto e de prazer, pareces uma criança que descobriu um baloiço, não te deixou logo, fico a segurar-te assim, em pleno ar, olhos nos olhos, as tuas mãos seguram a minha cabeça, sou real e o teu sorriso acredita, ainda tens uma ponta de riso pendurada nos lábios, passa uma eternidade, passam duas, quase que passam três quando saltas e me sugas a alma com um beijo.
Já não tens as mãos geladas.

segunda-feira, outubro 09, 2006

poema 43

sinto-me desenrolar
como um novelo que rebola lentamente pelo chão
tingido pelo sangue que me falta

sinto que me perco
que perco quem sou, que me vou erodindo
como uma pedra na praia

às vezes nem sinto nada
nem sei bem quem sou quando acordo
venho de um mundo que nem me lembro

nem sei se devia sentir
ou se me lembro bem como se sente
devia ter escrito o caminho de volta

só sei que me perdi
e que continuo a perder-me mais
tanto que já nem me lembro
de onde parti

quarta-feira, setembro 27, 2006

A caminho do trabalho

A luz da manhã brilha gelada nos teus olhos cor de lágrimas, torna os teus cabelos negros ainda mais verdadeiros, como se de um novelo de lã se tratasse.
Neste exacto e medido momento sei que te amo, isto que explode no meu peito só pode ser amor, o desejo eu conheço bem, e esta dor de precisar ficar preso a ti é nova para mim.
Puxas-me para a luz quando nos afundamos nos lençóis, o teu nariz brinca no meu peito, as tuas unhas arranham os braços, é o meu corpo que te protege da luz líquida que entra a escorrer lentamente pelo quarto, mas para mim a luz é tua, é como agarrar um sol entre os braços.
Enquanto me calço escondes a cabeça debaixo da almofada, resmungas-me palavras inaudíveis, copiadas de antigos cantos de sereias, tentas arrastar-me de volta para a cama, a manhã está gelada e nem mesmo a fogueira do teu corpo me aquece as mãos.
E parto sorridente na direcção da servidão, só porque sei que podia ficar, e porque acho que te amo, mas de certeza que me fazes sorrir, até nesta manhã gelada de promessas cinzentas, e acho mesmo que te amo, mas de certeza que me cativaste, diria a sábia raposa, mas já perdi a capacidade de falar, ficou contigo a minha palavra, e só sorrio baixinho para que ninguém repare e me roube esta quase certeza, roubando-me um porquê.
Acho que te amo.