domingo, maio 18, 2014

Dreams of fire in a vegetable garden

Gardening.
Yes, gardening.
I actually really like it. To plant something, and take care of it, through good and bad weather, so that eventually you will harvest something or other.
Today is sunny and as dry as it will ever get in this island, and I really hate it.
It reminds me of my grandparents house, of hunting in the summer, of the smell of the heat, of things past and things gone.
Give me the shitty rain and fog that you get most days here.
But not this.
In days like this I remember too much.
I remember the fire in my lungs and the heat in my heart.
I remember hunting and being hunted, in the gone days of fire.
The taste of the chase.
Being utterly and completely alive.
The dog touches my knee, gently, with her nose, just to wake me up.
Must have been daydreaming for a big while, the sun traveled a lot, the clouds have covered the afternoon sky.
My bones hurt like the're in a vice, it will rain soon.
I smile.
A big open smile.
No need to water the vegetable garden today.
And no more dreams of fire.
Just sweet oblivion, cool and inviting.
And dinner.
I go in the house, to take a shower.
The dog follows, to eat and chew something.
The dreams of fire stay, planted in the vegetable garden.
Waiting for the rain.
To grow and be harvested.

domingo, abril 06, 2014

I walked in the shadow of giants
when the heart in my chest was young
and it's taint was fresh and unscratched

I walked, happily and carefree,
in the company of young gods
under smiling rains and crying suns 

Never a giant or god was I
mind you, but the nymphs
did give me their secrets to keep

What was I but a stone
against which they would rest, 
and tell, and confess, and fell free again

But in the shadows of my deep dreams
do I see still their heat,
now but a memory...

...because I walked with them,
but no more.

quarta-feira, novembro 13, 2013

My body is not a fucking cage
Nor do I see the sun shine
It is my mind that keeps me free
Behind my eyes hiding and waiting

If you could only see
That the fires that shined
From inside my eyes
were signal fires and nothing more

There is truly no darkness
Or pain inside my mind
There is only fire bright
And eager flames

So I take the field
All smiles and handshakes
Be polite, be friendly
Wait for them to start

Oh sweet deliverance
Then let the signal fires die
And release the hissing flames
And submerge all in the ashes


terça-feira, outubro 29, 2013

Os raios que cortam o véu negro do céu
Luminosos cabelos de fim de tarde
Nada mais são que tentações
Recordações de tempos passados
Em que o meu coração vivia
Na terra sagrada do sol
Onde até no topo do infernal inverno
O sol brilha e te aquece
E te abraça, lembrando o calor

Na terra do véu negro
Todo o céu desce à terra
E te envolve no seu xaile quente
Abafado como um forno
Um falso calor
Que pelos vistos chega e sobra
Para quem nunca abraçou o sol

Na terra do véu escuro do céu
A vida passa numa tela cinza
Sem verdadeira chuva nem verdadeiro frio
Sem verdadeiro sol nem verdadeiro calor
E sem nunca, nunca, nunca ver

O céu na sua verdadeira imensidão imaculada
Vendo que eu lhes escapava, tentaram arrancar-me o ânimo
Com palavras afiadas e olhares cortantes
E atos flamejantes de inveja que tem
Quem nunca tentou fugir, nem resistir,
Nem erguer-se do sagrado chão

Vendo que eu lhes escapava, tentaram partir-me as palavras
Torná-las brinquedos quebrados,
Sem som real e brilhante,
Transformá-las em ocas imitações,
De sons humanos de outrem

Vendo que eu lhes escapava, deixaram-me ir
Pensando-me velho e cansado
Ferido mortalmente de lhes resistir
E deixaram-me a vitória cortante
De morrer de mil cortes sangrando


Mas escapando
Enquanto escrevo este texto, está um melro a tentar segurar-se no cabo eléctrico que atravessa a rua. Não está fácil para o melro… o facto de não ter predadores naturais nas ilhas (salvo, é claro, um ou outro jovem meliante com uma pressão de ar), tornou-o gordo e pachorrento, arrogantemente seguro de si. Se o melro tivesse na sua posse os meios da auto-estrada informativa, tal e qual como todos nós, receberia os avisos da Protecção Civil na sua página de Facebook, ou  Twitava aos outros melros (piada obscura de professor de língua inglesa… inserir sorrisos amarelos). Mas o nosso melro é jovem, vive no presente, e quer apenas saber onde e o que comer, andar pendurado com os outros melros, ...ui, piar às melras…e por aí adiante.
Nada, na sua estreiteza de pensamento e de visão do mundo, o teria preparado para o que se aproximava.
Talvez… talvez dentro de si, um instinto animal o tivesse avisado, como um calafrio ou um nó no estômago, mas encolheu as suas asas, era verão, estava a engordar e a comer bem, e lá vêm as melras a passar… e qual instinto de aviso qual quê.
 Agora segura-se com garras e bico ao cabo. As suas pequenas são asas incapazes de aguentar a sua pança e de se levantar voo no vendaval. Nunca foi religioso mas agora promete cumprir promessas e toda essa litania (Tenho dúvidas sobre isso, mas nunca falei directamente com ele, portanto não o posso afirmar).  

E lá está o nosso amigo melro, a segurar-se…e a segurar-se… precariamente, tal como nós, os portugueses, à espera de resistir a este vendaval que não esperávamos, mas que na verdade, sabíamos muito bem que aí vinha.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

there are torches that burn in my dreams
made of fire and darkness and sorrow
in darkness forever dancing around
as if they were chasing me to the ground

in my dreams there are eyes
burning red in the night
in darkness forever dancing around
just outside of the dim camp-fire light

in my dreams there is no fear
Nor do I run or hide from them
in darkness forever dancing around
in my dreams I stand and wait

for in there I know
that the torches and the eyes and the fear
in darkness forever dancing around
are running from me

segunda-feira, abril 12, 2010

alma coração


de toda a minha força, de toda a dureza do meu rosto, da minha falta de capacidade para sorrir, choro sempre na merda do filme.
algo em mim se move e faz as lágrimas correr pelo rosto, sem qualquer tipo de controlo, assim que vejo a menina do casaco vermelho.
que merda isto de sentir, de não controlar as nossas emoções.
e não ser capaz de não chorar quando vejo a pequena menina, no seu casaco vermelho.



http://www.youtube.com/watch?v=rRgNDffKHms

sábado, outubro 03, 2009

Nesta Terra

nesta terra dos mil verdes
faz-me falta o meu pó,
a minha secura dourada

nesta terra rodeada de mar
os meus olhos procuram-te,
imensidão de terra minha

nesta terra de ameno tempo
o meu corpo anda sedento
do meu suão que queima
e do vento norte que abraça

nesta terra que me dizem dos amores
quero de volta a solidão
extrema. cortante, suave,
da minha planície debruada a ouro

sábado, junho 06, 2009

mas amar

luto porque nada mais sei fazer
e luto para perder
porque luto contra mim
e são lutas que não se têm
e são lutas que não se vencem


O meu coração amanhece cheio de um ódio podre, pesado e cinzento, como se fosse um corpo de um animal à muito morto e esquecido, um ódio abandonado e esquecido, perdido num labirinto de claridade artificial.

Apenas sentir me retira de mim por um pouco, e o teu amor é um pingo de cor neste mar de cinzas gastas, só o teu amor me faz sentir, o teu amor e uma imensa dor.
Não sei amar como mereces, falta de prática ou excesso de cicatrizes ou simplesmente não sei, existem coisas que nunca fiz bem, será amar uma delas, nem isso sei bem, tento todos os dias amar-te mais, mas não chego ao que te quero dar, um amor imenso que no espaço pequeno que tenho dentro só sufoca, porque mais não sei fazer.

Sei odiar.
Sei odiar e causar dor com uma energia imensa, uma explosão de energia e de calor que percorre os meus olhos e me leva a agir, agir por ódio puro e imaculado que me arrasta pelo pescoço com correntes banhadas de sangue.

De pé isolado.
Sei desafiar, sei agir com orgulho e raiva e ódio e dor e mostrar a todos que estão enganados e que não ganharão e que não perderei, não perderei, não perderei, cai mil vezes, em lágrimas banhado e não cairei, não perderei.
Isso sei fazer.

Mas amar...

quinta-feira, março 19, 2009

Maltez

Lembro-me de ser pequeno, tão pequeno que nem ao cinto das calças azuis do meu pai chegava, e ir com o meu avô guardar ovelhas, no meio de um calor sufocante, rodeado de animais maiores que eu, com um cajadinho feito de uma cana, o cabelo comprido escondido debaixo de chapéuzinho de palha, daqueles que os miúdos tinham naquela altura.
Caminhavamos todo o dia, distâncias de gigantes pelo que me parecia naquela altura, e víamos maravilhas para as quais uma criança como eu não tinha ainda vocabulário, nem dito nem pensado. E o meu avô chamava-me pequeno maltez, por causa do meu cabelo comprido e pele bronzeada, pequeno cigano, pequeno nómada, palavras ditas com carinho para descrever uma criança, palavras usadas com desdém para descrever adultos, pessoas que viajavam de longe e para longe, sem que se lhes conhecesse a família até à décima geração.
Não que viajar fosse mau.
Um homem viaja porque tem de dar de comer à família, porque vai atrás do trabalho, que o trabalho é bicho irrequieto e foge, foge de nós até quando estamos a dormir.
E assim cresci, entre o dever e a vontade, entre esse pequeno maltez que mais não quer senão ver todo o grande mundo, as suas grandes tristezas e as suas pequenas maravilhas, e o dever mais velho e primeiro de um irmão e filho, ajudar quem não te pede mas que ajudas porque é o teu sangue e o sangue é mesmo assim, não há como dizer não.
Entre acordar cedo para ir trabalhar e não dormir para ver o pôr-do-sol.
Entre entrar no conforto morno da rotina e gelar os ossos a ver as estrelas na serra no inverno.
E o meu coração bate, bate, bate bate, até ao dia em que ir seja mais forte que ficar, e esse pequeno maltez sorridente parta, à procura de ver mais, de encher mais os olhos.
E depois volte.
Ou não, pá, ou não.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

às vezes perco-me na quantidade brutal e furiosa da minha raiva e deixo de saber quem sou ou passo a ser quem sou, em toda a minha gloriosa força e veneno, uma parede em queda rápida

não sei

sei que tenho dificuldade em amar, porque quando amo o meu peito doí e cada palavra é arrancada como se uma silva se tratasse, como se cada respiração fosse puxada do fundo de um poço negro e pestilento

sei que não sinto desespero, porque não sei o sabor da esperança, como qualquer boa máquina avanço por dever, e porque posso avançar, e abro caminho com ambas as mãos, arrancando carne com os dentes

sei acima de tudo que não devo beber quando começo a ser eu, porque sou uma boa máquina, e as boas máquinas sabem o valor das consequências, e mesmo marcado e grisalho e partido sei, sei voar e bater e criar consequências

como se o sol não nascesse, como se não existisse amanhã

porque não vai nascer, sabes?

porque não há amanhã



terça-feira, dezembro 23, 2008

short 1

sei que quando não durmo o sol nasce mais claro
e espreguiça-se na manhã gelada da planície
e o vento sopra daquele lado, do lado gelado da nortada
eu amo a minha planície nessas manhãs da minha dor
e a simples luz deste meu lar caiado me faz sorrir

domingo, outubro 26, 2008

num suspiro só

por vezes perco-me na profundidade verde cinza dos teus olhos e esqueço-me de respirar, esqueço-me que existes mesmo e tenho de te puxar para mim, puxar todo o meu corpo para trás para não te esmagar num abraço, tento sempre colar o calor do teu corpo ao meu, curar a minha indeferença com o sorriso fervente que me ofereces quando atiras a cabeça para trás, os pés no ar, apertada nos meus braços, podia acabar já aqui toda a existência futura, nos teus braços não há futuro, para quê, só existe neles um presente infinito de luz verde cinza que dos teus olhos salta para os meus

segunda-feira, outubro 06, 2008

É apenas uma farda

Sempre que passo pela superfície espelhada de uma montra não consigo evitar torcer os lábios selados num meio sorriso e repetir esse terço gasto, essa má reza já gasta pelas manhãs de todos os dias, é apenas uma farda de trabalho.
É apenas uma farda de trabalho.
Apenas um instrumento que usas para melhor te moveres no meio que escolheste como primeiro amor, como bússola da tua vida, como razão dos teus passos.
É apenas uma farda de trabalho.
E a merda da avenida tem umas mil montras, se não fosse o horário do autocarro já tinha parado para enrolar a pasta no blaser, usando a gravata, e tinha-lhes pago um bilhete só de ida pela montra maior que apanhasse. se calhar a do banco, ora que bela ideia,, nem parece que estás meio a dormir, nem tenho conta dos coelhos que essa cajadada matava.
No autocarro sou rodeado pelo calor e barulho dos que, mais jovens que eu, me olham como se fosse uma má mistura entre um nojento traidor e um pobre condenado.
Nem sabem o certos que estão, os pequenos cabrões.
Saio em frente ao Departamento, o mp3 quase sem pilhas cuidadosamente guardado no bolso interior do blaser, para carregar ao menos uma parte do verdadeiro eu perto do coração, e caminho calmamente, tenho ai uns vinte minutos.
Deixo escapar entre os batimentos das veias insultos ruidosos que só eu percebo, é a vantagem de trabalhar no estrangeiro, a esta arquitectura moderna e utilitária que me cerca.
Vidros por todo o lado. E nem um paralelo solto da calçada num raio de um quilómetro.
É apenas uma farda.
É apenas uma farda.

quarta-feira, julho 30, 2008

são quatro da manhã e já devia estar a dormir
especialmente tendo em conta que ontem nem dormi
ou foi hoje que não consegui dormir
e é o sono de amanhã que me escapa entre os dedos?
nem sei, deixei de saber à um mar de horas atrás
afogo-me devagar no abraço metálico e pesado
da armadura de cansaço que tenho em cima

o peso dos membros é tanto que nem me mexo
sou um corpo morto com uma réstia fina de força
um fio gelado de pensamento que corre apesar, a pesar,
a arrastar tudo sem sequer me apagar finalmente
gota a gota a gota a gota
no esquecimento morno do sonhar

sei o acontecimento, sei o sintoma, sei a cura
falta-me o corpo suave que acompanha o meu sono
e na cama vazia o momento arrasta-se
escala o pensamento a pouco e pouco, lento demais
até o corpo esgotar e morrer e dizer finalmente
basta
e dormir com ou sem corpo, por mais vazia
que a escuridão de mel seja


sorrio amargo
desconfio que não vou dormir tão cedo

terça-feira, julho 08, 2008

não senão

não penso uma clara manhã de luz cortante
sem procurar a claridade dos teus olhos

não imagino amanhecer sem misturar
os teus cabelos soltos com os meus sonhos

não faço ideia de como será não te ver
passar por mim leve como uma pena descalça

não acredito como os teus dedos frágeis e leves
apagaram a minha realidade como quem vira uma página

não toco senão a suavidade da tua pele branca
em cada superfície que embate nos meus dedos

não faço outro desenho no ar à frente do meu rosto
senão o modo como o teu corpo curva na escuridão

quinta-feira, junho 26, 2008

sorriso

gostava de saber quem vos meteu nos cornos que eu sou boa pessoa
a sério
só mesmo pra lhe meter uma bota pelos dentes
só uma ou duas vezes

a ver se arranjo outro mosh
para sentir outra vez
ossos a quebrar debaixo das minhas mãos
mergulhar no medo
mergulhar no olhar dos outros
ter ondas de dor a submergir-me o corpo
voar bater matar soltar

ver até onde a minha vontade
carrega o meu corpo quebrado
sentir mais e mais e mais
seja o que for
seja mesmo dor
sabor a suor
sabor a sangue

a sério
gostava de saber
só para apanhar essa pessoa agora mesmo

quinta-feira, junho 12, 2008

e sabe bem

de repente, já não és teu
partilhas o teu ser com alguém
e ninguém te avisou
nem ninguém te pediu opinião
aconteceu e pronto

misturas as respirações
divides olhares
e dedos intrusos entram
sem que se quer te importes
pelo teu coração adentro

de repente já não és teu
na vida que construíste
cabe um nascer do sol novo
e já não tens dores tuas
alguém se doí contigo e por ti

misturas as respirações
e quando a manhã te acorda
bebes a luz de outros olhos
e o que te alimenta não é o ódio
mas o conforto de outros braços

de repente já não és teu
misturas as respirações
e sabe bem

quarta-feira, maio 28, 2008

espaço alugado

não sei se o que escrevo satisfaz o que sinto
escrevo porque preciso tirar as facas dos dedos
preciso de tirar o veneno dos olhos
e por isso solto em páginas nuas
cicatrizes de crueldade e carinho
que não consigo mais suster

mas nestes dias cinzentos, de chuva gelada
torço os dedos e mordo os lábios
sinto o sangue fugir de mim pelos olhos
mas não solto nada
tento guardar dentro de mim cada olhar
cada momento de absurda claridade
como um pecado precioso
uma peça de um puzzle amado

ainda estou para perceber porquê
para perceber se assim conquisto alguma coisa
além do espaço interior alugado
por mais ou menos tempo
a raizes de plantas estranhas
que crescem na escuridão
e que sabem estranhamente bem