terça-feira, abril 04, 2006

Estátua de Sal

Debaixo desta torrente de líquido quente que me escorre pelo cabelo para a cara, para as costas, para o resto do corpo, tento apagar o cheiro de ti, substituir o calor de ti pelo calor da água que o chuveiro vomita violentamente.
Viro a cara para cima, talvez olhando este mar fervente consiga apagar os teus olhos dos meus, mesmo assim, talvez mesmo com eles fechados, te consiga apagar, a água entra-me morna pelos lábios, recorda-me a tua língua, também a água dança na minha boca...
Entras neste mundo de vapor como uma avalanche morena, o teu cabelo apanhado no topo da cabeça, pareces uma medusa pronta a consumir o mundo, a transformá-lo em pedra, a mim transformas-me numa estátua de sal, sal que se tenta desfazer debaixo desta cascata antes que me desfaças tu com os teus lábios.
Agarras-me pelas costas, as formas do teu corpo frio coladas a mim como uma sereia a uma rocha fria da praia, cruzas as mãos no meu peito e cantas baixinho, encostas a cara ao meu coração, ouves o que sinto através das minhas costas, escondida da água e do mundo pelos meus ombros, a canção que me teces pergunta-me se há espaço para ti.
Meu amor, para mim não existem espaços sem ti.

7 comentários:

Tamia disse...

Que linda declaração de amor. Já a puseste em prática?

Heavenlight disse...

E na última frase está tudo dito. Lindo, como sempre!

Tata disse...

"Meu amor, para mim não existem espaços sem ti."
Eis aqui uma menininha completamente sem palavras...
Bjo.

Fer disse...

Ai, que lindoo!!
A última frase ficou linda mesmo! Nossa, amei! DEu até pra imaginar!
Gostei muito, muito mesmo! :)
Parabéns!

babygirl disse...

LINDO!!!!!!!!
E como isso é verdade.... Pena é quando não temos espaço.... Acho que isso diz tudo!
Bjs***

P.S.- Incrível como me deixas sempre a pensar.... Obrigada! =)*

voltas nesta cabeça disse...

Haverá sempre espaço p o amor**

Anónimo disse...

Sem comentários... não só a última frase, mas todo é texto está sublime!